O doce que me engorda é doce, fosses amargo, em minha boca serias raro.
Bom seria alimentar-me quando houvesse extrema necessidade, infâmia, não há nisso verdade!
O comer já me derivou prazer, atualmente, faz os meus dentes ranger. Farei um pacto com a minha integridade, enquanto vida houver, empenharei por paz, saúde e felicidade.
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terça-feira, 26 de abril de 2016
domingo, 14 de abril de 2013
Lenços aoVento
O lenço ao rosto, os olhos expostos e mais nada; não há cunho religioso, investigativo ou misterioso. Lenço florido que tem o preto como fundo. Agora que nada, ela não acredita; os pelos se foram, a inconveniência do vento não é capaz de tirar a resoluta decisão de sua permanência.
A mulher debilitada pela doença, a camuflada chaga sob o lenço, não sabe até quando se definhará; ela odeia a doença, mas o lenço, sim os lenços, echarpes, seus amigos, confidentes, leais, que embelezam, adornam e sorrateiramente fazem-na esquecer da doença.
domingo, 3 de março de 2013
A Graça da Vida é de Graça
Um beijo, um sorriso, um céu azul. Sol nascendo ou se pondo, o bater das ondas, borboletas em flores. Tomar um banho de chuva, encontrar um verdadeiro amigo. Fitar a lua e as estrelas, olhar para seu filho, sentir o coração bater, bater por e pra você. Inúmeras coisas de graça dadas por "DEUS", são graças.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Tantas Outras Histórias
Gostava-me quando criança de ouvir as histórias de minha mãe. Nascida em Igarapava-SP, de uma família de dezesseis irmãos, vizinhos do então desconhecido Jair Rodrigues. A vida, conta mamãe, era simples, num sítio; fala de vovô Sebastião e vovó Delminda Brandão; vovô de personalidade quieta, calma e serena, funcionário público; vovó o inverso, uma pólvora em pessoa, pronta para explodir. Agora, imaginem com dezesseis filhos aprontando as coisas normais da idade, por milagre que vovó não enlouqueceu.
Querendo ajudar na economia doméstica, vovó foi trabalhar de doméstica, deixava os mais velhos cuidando dos mais novos. Pronto, tio Luizão o mais velho já estava com as tarefas do lar definidas: lavar as roupas, limpar a casa e esquentar o almoço. No entanto, sem supervisão ele aprontava, amedrontava os menores para obedecer-lhe, senão apanhavam. Sobre as ordens do primogênito, subiam nas goiabeiras e tantas outras eiras que existissem, tomavam leite na própria vaca, brincavam; quando chegava a hora de vó Delminda voltar, Luizão colocou seu plano em ação. A casa de chão batido fora lavada, a água não escoava, e qual engenheiro perito partiu para a solução simples de furar as paredes rentes ao chão fazendo a água sair. As roupas limpas tiraram do guarda roupa e molharam no tanque, dando a impressão de tê-las lavado, pendurou-as no varal, escondendo o cesto de roupas sujas. Aprontou todos para o banho, afinal a matriarca inspecionaria. Vó Delminda colocou os pés no sítio sentindo que algo muito errado ocorrera, percebeu o estado calamitoso da casa, notou que as roupas limpas estavam no varal e desistiu de vez de seu trabalho secular. As evidências a convenceram de que a família necessitava muito mais dela. Não pense que termina assim, pois todos levaram uma boa surra, principalmente tio Luizão. Até hoje, eu sento pra ouvir minha mãe contar essa e tantas outras histórias.
sábado, 12 de janeiro de 2013
O SUICÍDIO
Voltava Euluan muito triste, decepcionado com suas expectativas quanto ao amor. A pessoa que ele estava cortejando lhe tratava bem, fez questão que conhecesse os seus pais; moravam no Jardim Record, em Taboão da Serra, na grande São Paulo. Houve uma ocasião que até dormiu em sua casa; as coisas estavam se encaixando. Euluan não podia mais viver longe daquela figura; respirava, comia, bebia e se desgastava por ela. Ela tratava todos bem, e este era o problema, dava beijos na boca de outros, mostrando sua imensa intimidade com terceiros, mas com Euluan, a coisa era parental, um amor storgé. Como pavão, Euluan abriu-se, mostrou suas qualidades, o que tinha de melhor aos dezessete anos. Brigou, e sua pior briga era interna. Decidido agora a namorar e casar, tomou um banho como preparação de seu corpo, apanhou sua melhor roupa, usou um perfume de fragância ousada. Saiu de sua casa no Morro do Cristo (um lugar conhecido por suas tantas escadarias que acaba na imagem, replica menor do Cristo Redentor do Rio) desceu as escadarias em direção a Rodovia Regis Bittencourt (BR 116), pegou o coletivo intermunicipal.
Certo de que receberia um sim, treinou alguns beijos em sua mão esquerda; não queria fazer feio, quis viver aquele momento. Desceu próximo a antena da Record e foi andando, já era início da noite. Bateu palmas, ela veio, pediu para entrar, quando na sala, depara-se com o rival bem juntinho. Visivelmente desconcertado, pede licença para trocar duas palavrinhas. Em particular pede-a em namoro, recebe seu não. Cavalheiramente despede-se dos pais, do arqui-inimigo e da amada, a cabeça não está baixa, sai, andando ao luar, sua sombra cabisbaixa o revela. De volta ao bairro, rejeitado, no lotação lança luz pro seu problema: suicídio. Arquiteta descer na praça central, subir em uma passarela e descer, se jogar, acha-se um lixo. Conta um, dois, três; levanta-se e aperta a campainha, o ônibus para três pontos depois do alvo. Pensa: que trabalheira morrer, desiste por hora, continua andando para casa nocauteado.
Anos se passam e, em seu trabalho recebe uma ligação dela, convidando para se encontrarem, saírem juntos, relembrar os bons tempos. A negação volta a sua mente, ele responde que não pode. Desliga o aparelho e dai por diante se suicidou pra ela, nunca mais deu atenção à ela.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Saudosa Teimosia
As margens do rio que separa São Paulo de Minas Gerais, há uma grande população ribeirinha. Vó Delminda cuidava de seu sítio; a veterana reclamava de tudo e, em suas veias junto com o sangue, tinha a substância da teimosia derramada generosamente. Na chácara, havia muitos patos, galinhas, coelhos e várias plantações.
Uma barragem acima cedeu, a rádio local deu o alerta para todos deixarem suas casas; mas vó Delminda queixava-se. Em toda sua vida nunca havia ocorrido, e não seria agora que as águas entrariam. Seu primogênito filho, José Augusto, tenta convencê-la; a anciã repete o discurso de quantas e tantas acontecera e nunca entrara um pingo dágua. Sentaram nos degraus que dá de frente ao rio; a matriarca finca um bambu no leito pra medição, pelo sim, pelo não. O rio sobe vagarosamente, de repente, uma vaca passa num pedaço de barranco rio abaixo. A correria se faz necessária, vó Delminda coloca os poucos bens pra cima; seu filho corre até a cidade em busca de um caminhão pra retirar o que a vó gosta.
Em seu regresso, tudo era rio, entrou com dificuldade na cozinha, e eis, vó Delminda em cima do fogão dizendo: Não! Logo, logo abaixa; no passado não demorava nada...
domingo, 23 de dezembro de 2012
Então, é Natal!
Diógenes acorda com o som alto do rádio, é natal e sua mãe está feliz, preparando os assados, os comes e bebes; ela canta acompanhando as canções de coração. Sonolento, o menino vai ao banheiro, toma banho, escova os dentes; sai renovado. Num cantinho da mesa, está um pano de prato reservando o seu lugar; toma seu belo café da manhã; meio a contragosto, parte passando pano em toda casa. O dia toma forma, fica feliz de ver o grande desfile de familiares que entram e saem; repara que uma vez no ano os vê, fica na vontade da assiduidade.
Cansado, pois aos sete anos um pano e um rodo são deveras pesados; liga o aparelho de televisão, olha atentamente os desenhos temáticos do dia. Na hora de almoçar, deixa o aparato ligado, uma notícia o arrepia, a jornalista enfatiza que aproximadamente 40 mil crianças dormiriam com fome naquele dia, como diariamente. Pensa: É Natal! Onde está o espírito natalino? Aborrecido, come um pouquinho; pergunta pra sua mãe o porquê daquilo. Sua mãe lhe responde com uma palavra: "hipocrisia".
A noite, na comemoração natalina, ele olha para os familiares, percebe que não são verdadeiros, recolhe-se ao seu quarto. Taciturno, a palavra hipocrisia faz sentido real, vivo, em seus familiares. Na internet, pesquisa e descobre que não é a data do nascimento de Jesus; vai até a janela, olha para o céu estrelado e fala com Deus:
- Bom Deus, ajuda-me a não ser hipócrita.
A lua, as estrelas, mudaram de lugar; o menino não, não dormiu, algo dentro dele havia mudado, era sua determinação de não ser ou praticar a hipocrisia nos 365 dias dos anos, incluindo os bissextos.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Jardim Interior
Comecei a vasculhar-me, entrei em meu jardim; estava organizado na medida praticável. Fui notando as muitas flores, muitas havia plantado, aguado, cultivado; entendia perfeitamente aquela cultura. Entretanto, outras, eu não sei quem plantou, mas estão lá, enraizadas e fortes. Andando mais adiante, notei uma caixa, não, não era uma caixinha e sim um grande baú. Agachei-me e com facilidade o abri. Em seu interior havia coisas ruins, fedorentas, repugnantes. Fechei-o, tentava empurrá-lo para qualquer direção, sem êxito, pois parecia fixado ao chão. Fatigado pelo esforço tremendo; minha mente raciocinava, e eis que o enfeitei com flores, passei-lhe um cadeado pra quem sabe, não o expor nunca mais.
domingo, 25 de novembro de 2012
São José do Rio Preto no branco
Entre as maravilhas de São José do Rio Preto-SP, está a sua represa; de dia a cidade luta no vai e vem do ganho material, as vias mais parecem veias e artérias com seus muitos veículos. A noite, a cidade se encontra na represa, com suas muitas capivaras e uma ponte de madeira que nos faz adentrar no Rio Preto. A direita, pra quem olha em direção ao SESI, observa-se uma centenária com aspectos brancos em seus galhos. Tamanha admiração advêm das garças em seu descanso, na velha árvore a margem do açude. A cena é deslumbrante; me fez pensar no poema de Castro Alves, "Eu Sou Como a Garça Triste"; ou a música de Pena Branca e Xavantinho, "Cuitelinho". Realmente, São José do Rio Preto é inspiradora, anoitece, mas não escurece, pois as garças clareiam a árvore e a vida dos Rio- pretenses.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Faltosa Promessa
Estou aqui sentada; hoje eu ri muito, recordando as suas brincadeiras, meigas, as vezes sem graças. Elas fazem falta! Aquelas promessas de flores todos os dias, jantarmos fora, dançarmos, dançar! Desses dias serem sempre especiais. Dormirmos agarradinhos, ter uma conta bancária obesa. Nada disso você me prometeu, tenho raiva, sou obrigada a dizer que você não me prometeu nada; fez tudo perfeitamente. Como alguém perfeito pode morrer? Não morres, vives dentro de mim.
domingo, 2 de setembro de 2012
PAZ, PODES ENTRAR!
Parece inalcançável, mas não é. Quais seres humanos, temos por tendência criar soluções que agradem aos olhos. Um exemplo disso, a formação de um Órgão, uma instituição internacional que foi criada para trazer a paz, quando toda a humanidade é incapaz de lidar com seus problemas dentro do lar e fora dele. A verdadeira paz não pode vir de uma estrutura de concreto, ainda que com boas intenções, mas sem ações concretas.
Tolo como possa parecer, ela veio, vem e virá a àqueles que deixam-na se instalar num órgão interno, que revela quem verdadeiramente somos no íntimo; ali provoca mudanças reais internas, que refletem em nossas ações externas. Que Isaías 2:2-4, saias da frieza do muro e faça parte de nossas vidas.
Paz, podes entrar!
domingo, 10 de junho de 2012
AOS GODOY, BONANÇA!
É manhã em São José do Rio Preto, Leilane volta a sorrir. Seus olhos estão radiantes, sua alma, sua essência está completa. Marcos, o marido carinhoso, compartilha a felicidade; estão dando total atenção ao momento. Ele olha sua amada, inspeciona, por fora parece a mesma, doce e eterna namorada; seus sentimentos estão naquela direção, ao âmago.
Ela transporta seus pensamentos meses à frente, observa a grande bola da vida, não acha difícil se produzir com uns quilinhos a mais. Godoy, em seu trabalho, entre um telefonema e outro, imagina o meninão, companheiro do pai; quando indagado, nega tal intenção, menina será muito bem vinda, repara.
Sozinhos, fazem um churrasco; bendito feriado, os amigos estão longe e perto. Leilane passa as mãos no ventre, os dois se olham, sorriem: o que será que estão pensando? Coisas profundas, que só os genitores entendem, apreciam e cumpliciam.
terça-feira, 22 de maio de 2012
O EXERCÍCIO DA BONDADE
Não havia como esconder aquela beleza. Por onde passava, Richard, chamava atenção. Num país trigueiro, cheio de caboclos e cabrochas, logicamente suas madeixas, lisas e loiras, a cortinar seus olhos azuis; que gritavam, agitavam a todos nas ruas, lojas e adjacências.
As moças suspiravam, e as mulheres disfarçadamente se abanavam com seus leques na confiança de refrigerarem os seus pensamentos. O moço parecia andar em outro mundo; claro que gostava daquele assédio, amava ser o centro das conversas. Com aquele corpo juvenil, definido e não malhado, pois não cultuava-o. O coração carecia de algo, e Richard não se preocupava.
Nas ruas centrais, fileiras de crianças solícitas, Richard seguia em frente. As vezes, achava tempo para namoricos descompromissados. Em sua vida, havia uma só coisa importante: ele.
No entanto, aproveitando a vida à sua maneira, o tempo, o mau e bom tempo, o fez refletir. Perdurava seus olhos azuis, lindos, enfraquecidos pelos anos. Os cabelos loiros, que rivalizavam com o sol, embranqueceram. Rugas marcavam o que antes fora macio. Uma coisa imutável, ele ainda era considerável.
Ao passar pelas ruas, chamava atenção, parecia ser o centro das atenções. As moças suspiravam, as mulheres abanavam-se, a motivação era contrária a primeira; por forte dó da sorte que lhe sobreveio na vida. Aquele corpo sustentado por uma cadeira de rodas, dependia de Jacinta; não era bem afeiçoada, mas de tamanha generosidade. Bondosamente cuidava dele. Providenciava banhos, refeições, entretenimentos, roupas; quanto mais fazia, mais parecia fazer.
Certa vez, a trigueira Jacinta, ao fazer sua barba, o elogiou dizendo que provavelmente foi uma pessoa boa na vida, e que agora Deus o estava recompensando. O azul vira mar, a bomba interna acelera, bate mais rápido, e o balançar da cabeça afirmativo, acompanhado pela rouca voz:
EU SOU...
sábado, 5 de maio de 2012
ACASO DE TAL
Parecia estranho aquele menino, Murilo de Tal. Se não o conhecesse o teria por esnobe, ou no mínimo, lunático. Nas ruas, as sombras frias das árvores com suas brechas, o imponente sol, obrigava a penetração de seus raios. Ali e em quase todas as ruas, meninos arfam por um gol, o suor desce nas faces: de alguns contorna o riso, e de outros a frustração e raiva.
Em meio aos palavrões, surdamente seus genitores concentram-se em varrer calçadas, lavar seus carros, casas, consertos, suas refeições, indas e vindas: não há repreensão. O cantar dos pássaros, bandos coreografados de andorinhas, bicos coloridos e radiantes, Murilo de Tal, aos oito anos, sentado num banco de tábua, sobra de construção, que nas vilas proliferam.
Em sua concentração profunda, estas coisas passam por alto; o livro sim, bendito livro que o fazia viajar pelo universo, atravessar galáxias, sentir uma realidade que não era a sua. Uma voz forte ressoava, lembrando-o de sua responsabilidade para com o quarto. Era sua mãe, Dona Celeste, mulher forte, senhora é bem verdade; séria pelo semblante, mas um coração que não lhe cabia por tamanha generosidade. Claro que era ávida nos assuntos alheios, nos acontecimentos da vila. Quanto aos assuntos de Murilo, seu interesse desvanecia.
De boca em boca, a desgraçada populaça, contava sobre a pobre viúva, que adotara Murilo, e nas línguas apimentadas, sua nobre atitude era traduzida por desvaneio e loucura. Murilo continuava lendo, na esperança de encontrar um mundo melhor. Ele lia.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Coisas do Coração
Bem alto os olhos de Dona Miloca, assim conhecida por todos, parece ver além da neblina, muito além da poluição. O décimo quarto andar daquele prédio, no coração da metrópole cosmopolita, a colocava numa posição privilegiada. Mas seu olhar não fazia caso, a levava pra quando menina no interior. Parecia sentir o cheiro do café que a mamãe fazia, com suas mãos calejadas pelo ofício. Ofício comum da região, o de boia fria. Incomumente, Dona Miloca levantou às quatro da madrugada, as lembranças foram mais fortes que o sono, como se fosse possível sonhar, aos oitenta e dois anos de idade, você vive ou leva seus sonhos para a terra.
Lembrar do rosto da figura amada, generosa provisora, sisuda, abrilhantavam seus olhos. Ao passar das horas, sorrisos e risadas com lágrimas, parecia endoidecer com suas lembranças. Logo desperta, a vida na sala, sua neta adolescente na correria se apronta para ir ao colégio. Dona Miloca se poe a servir, já por anos fazia isso, quer triste ou feliz, o sentimento não podia ser levado em conta. O olhar veterano, cansado, avisava desesperadamente que precisa conversar.
Eloísa, dezesseis anos, um pouco acima do peso (que ela não saiba disto), aplicada nos estudos, de pouca fala e menos amigos. Sensível, percebe a estranheza da avó.Com empatia, segura as mãos trêmulas da guerreira, enrugadas, ásperas, olha nos fundos de seus olhos e implora: Conta, vó, conta pra mim. A idosa pensa: Meu Deus! Ela cresceu e age tal qual sua avó. Com a boca aberta ensaiando falar, as duas jaboticabas solícitas pacificaram-se e a nostalgia começou a ser ouvida.
Eloísa promete que está pro que der e vier. Abraçam-se e gargalhadas e beijos parecem sincronizados.Aprontam-se rumo ao interior, escolhem um feriado conveniente em que a extensão da família, filha, genro e neta, apoiam loucamente Dona Miloca. No trajeto de ida pra cidade dos sonhos, a anciã não se cansava de falar de particularidades da cidade, da fazenda, de como tudo era bem organizado. Ao chegar na cidadezinha a verdade não condizia com os sonhos, a boca falava e os olhos não podiam processar como verídico. Dona Miloca, sai correndo, e mostra o que restou da fazenda que hoje divide terreno com o cemitério, a única coisa de pé é a velha mangueira. As pessoas, suas conhecidas, já não existem mais, o vilarejo abandonado, Dona Miloca, a Miló, corre abraça a mangueira e diz sussurrando coisas que a cúmplice sabia muito bem. Chorou, se alegrou, dentro dela, estava de volta ao seu paraíso.
Olhares ternos, misericordiosos, mas também alegres, se encontram, e na subjetividade do pensamento, vem uma certeza, a felicidade está onde o coração a vê.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
NICOLAU
É outono em São José do Rio Preto, o sol já aquece o dia; dias quentes daqui. No entanto, águas persistem em cair, em molhar as faces de Leilane e de Godoy. O silêncio já não é bem vindo. Momentaneamente, a alegria parou, e a tristeza implacável quer continuar. Godoy procura explicações para consolar sua amada. Leilane esforça-se em lecionar, pensar o coração de seu querido. Não há palavras. Agora, não fazem diferença, pois os bons momentos, aqueles que Nicolau lhes proporcionara, não se desvanecerão. Mais uma etapa vivida.
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