quarta-feira, 19 de agosto de 2020

NO TEMPO DO AMOR

Hoje para conhecer alguém, ou mostrar interesse solicita-se nudez. Aquele constrangimento que outrora nos enrubecia, desconsertava, fazia-nos querer que a consulta passasse rápido só para sairmos daquela situação. Atualmente, o cartão de visitas para um possível relacionamento é se despir, como se o tamanho da genitália ou das nádegas fossem decisivos para a descoberta de virtudes e desvirtudes num namoro. No entanto, com a mudança de gerações há transformações sociais e morais, permanecendo uma cultura sexual, como diria nossa saudosa Elke Maravilha:"De pensar da cintura pra baixo", esquecendo-nos que não estamos num mercado de gente, não estamos comprando escravos e desumanizando novamente o ser humano. Dessa forma, à moda antiga, quando se tinha interesse no "ser" e não em possuir, as coisas relacionadas ao coração eram de tirar o fôlego.

sábado, 15 de agosto de 2020

"AMOR DE HOMEM"

 As garotas, se eu gostasse a mais feminina queria pra mim. Que seu sorriso fosse o da lua, com olhar nas estrelas e os pés na Terra. Embora eu goste de Plutão, Saturno, Mercúrio ou Júpiter, sei valorizar a delicada beleza feminina. Tenhamos como exemplo nossas mães, que são belas, todo dia envelhecem mais, continuando neste árido sistema quais flores enfeitando com toques suas famílias. Entretanto, não sei lidar com amores, falta-me o quê de Vênus; entrego me como o sol de dia ao relacionamento, como chuva perene numa plantação. Espero que brote, que meu amor não abrase meu bem, e assim floresça e aconteça minha afeição por homem também.

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

"DE BRAÇOS ABERTOS PARA A LIBERDADE"

Foto: Arquivo pessoal

O que antes era deserto floriu. Não foram as chuvas, mas represadas lágrimas. Aquela garotinha que corria, brincava, subia em árvores, pedalava por horas de braços abertos, tentava abraçar o futuro.
Entretanto, ainda pedala, as flores te seguem, o espírito jovem perpetua-a, e sente o gosto da liberdade, embora continue avidamente tentando abraçar o amanhã, o hoje já é teu fã.
Felicidades!

segunda-feira, 6 de julho de 2020

"A CANETA"

Há pessoas que a pega para assinar com a motivação financeira, o bolso é o estímulo. Há os que a usam para projetar, criar, corresponder, informar, amar e muitos outros verbos de ação. No entanto, devido a necessidade humana de se comunicar, a caneta veio a ser uma invenção mais que bem-vinda. Em 1884, Lewis Edson Waterman patenteava sua criação, a "caneta tinteiro". Como toda invenção pode ser melhorada, no ano de 1934, o jornalista húngaro Ladislao Biro, baseou em uma caneta que não borrava e nem deixava a tinta em seu interior secar. Nascia aí a "caneta esferográfica". Em seguida, em 1945, o francês Marcel Bich, desenvolveu um novo processo de fabricação em larga escala, popularizando o produto, o qual deu o nome de "BIC", abreviação de seu sobrenome. Dessa maneira, uso a "caneta" com respeito, meu instrumento essencial para passar meus sentimentos, pensamentos, do coração ao papel, do papel aos meios digitais. Assim sendo, uma poesia é uma oração mediada entre uma caneta e papel, corações e almas.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

"NUDEZ DA VIDA"

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Nu ele estava, lembrava Clarice e seus contos. Com duas taças de vinho nas mãos me serviu. Eu o fitava, aquele corpo imperfeito, depilado, rosto barbudo. Aproximou-se, fungou em meu pescoço, um arrepio subiu-me pela espinha dorsal. O hálito vinífero, eu o experimentava de gole em gole, seu teor era forte, envolvente. Ele, o vinho e eu, já não éramos mais três, tudo se encaixava. Como os ovos quebrados no bonde; como a massa branca do inseto; estava eu estirado no asfalto da vida, sangrando como uma estrela. Eu estava nele e ele estava em mim. No entanto, meu cachorro me atacou, por qualquer razão me estranhou, eu já ladrei muito por aí. Fechei a Bíblia,  abri meu corpo. Da cama avisto pela janela muito além do horizonte. Que pena que até um bom vinho chega ao fim.

sábado, 6 de junho de 2020

"Sonhos não Envelhecem"

Arquivo Pessoal

Porque se chamava moço
 se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço, aço, aço
Porque se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
Que seus sonhos não envelheçam jamais
Que sua estrada seja de sol, chuva, dias e noites
Sempre bem florida!


domingo, 24 de maio de 2020

"ATUAL TABACARIA"

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Naquela fria manhã, a caneca com café evaporava meus pensamentos. Quem pode confiar no Homem? Era a pergunta que volta e meia insistia no meu cérebro. Voltei quando criança, aonde perguntas eu sabia as respostas. Talvez seja porque na teoria nada é prática. Olho na janela, 'janela do meu quarto de um bilhões de mundo que ninguém sabe quem é (e se soubessem quem é, o que saberiam?)', diz "Pessoa" em seu poema "Tabacaria". Na tela do notebook persisto em olhar as janelas alheias, bebo o café já frio como a pergunta que fizera. Perder a oportunidade de deputar em alguém é algo não gostoso, tudo esfria. O café esfria, a vida esfria, há de se viver com as possibilidades. Entretanto, as janelas continuam abertas, algumas nem se fecham, são os loucos gênios querendo encontrar alguém real.

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"ESPERAREI"

Esperarei domingo; Esperarei sorrindo; Esperarei sonhando; Esperarei dormindo; Esperarei um amigo, Um abrigo, um lindo dia de sol.  ...