Solo descuidado em razão do clima, região pobre em virtude da economia, barriga que ronca por causa de comida, panela vazia em cima da pia.
Crianças peladas brincam com a terra, talvez um ato indelével da sobrevivência que ativa o núcleo lúdico e criativo do cérebro. Claro que algumas choram, filhos e mães, pais desconsolados com a dura realidade duros solos e dura vida.
Ao anoitecer do dia, taxado de especial por causa das mandiocas arrancadas de algum quintal, sítio ou fazenda, não importa, chega à cozinha e o cheiro estonteante reacende uma vontade suprida por razoes maiores.
Em vista da quase infertilidade da terra, no terraço de Nho Cibides, o vilarejo come, mas não se farta, e o primogênito de Nho pega a viola, canta músicas raízes e se torna o centro das atenções, mais do que barriga, no dedilhar sai uma música nova com refrão que a populaça repete de primeira.
A lua de fundo, o menino a cantar, palmas a soar e o solo fértil da imaginação a colher os louros em anos de carência.