Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A REVIRAVOLTA NA FAZENDA

Queria Dona Inácia refrescar-se do atormentador calor tropical, sua quimera era uma cachoeira de águas gélidas tão abundantes neste interior paulista. Com seus quase sessenta anos, corpo volumoso, poucos fios de cabelos enfeitam sua cabeça. Esbraveja chamando Nena, sua criada que adotara para tal, negra, dezesseis anos, corpo admirável em polegadas; a menina parecia um bibelô de tão delicada.
- Faça algo, ou não te importas que esse calor me consuma?
- Claro Dona Inácia, preparei até um refresco de acerola geladinho para refrigerar vossa alma. Responde a dócil donzela.
- Bons tempos aqueles que eu não precisava nem pedir, não é Nena?
- Trouxe também um pedaço de bolo de laranja, o seu predileto!
- Dá-me cá, depois as pessoas fazem observações grosseiras a respeito das minhas medidas, sim, você me entope de iguarias, como resistir?
Os doze cachorros do casarão passam a latir em direção ao portão da entrada, entrada que fica à trezentos metros da sede.
- Tem visita Senhora!
- Ora, deve ser o padre Antônio, havia combinado de ser generosa com a igreja por este mês.
- Engraçado, não parece ser o padre não. Um jovem montado em seu cavalo preto nunca o viu por essas bandas. Narra à menina fitando os olhos no mancebo.
- Chama Necésio e os capangas, e peça que indagues do menino o motivo de sua vinda.
A negra sai apressada no sentido contrário, na vila dos funcionários e num tom desesperador procura Sr. Necésio, o administrador das “Três Fazendas”. Necésio, cabelos brancos, cinquentão, viúvo, sisudo; olha o apavoramento da moça escutando-a, sobe em seu cavalo e vai calmamente em direção ao portão.
O jovem educadamente o espera do lado onde às sombras dos grandes Jatobás o protegem. Na cavalgada, Sr. Necésio mira o jovem, desconcertando-se, lembra-se das mulheres e suas noitadas. O jovem tem sua fisionomia, o que será que veio fazer por estas bandas? Será que está em busca do paradeiro de seu pai? Endurece sua postura mais que o normal.
- Bom dia! Segue-se um exame da cabeça aos pés.
- Bom dia! Gostaria de conversar com Senhor Necésio, o administrador da fazenda.
- Pois não. Responde apeando de seu cavalo. Incentivado, o jovem mulato, musculoso, cabelos negros, um e oitenta de altura, passa a descer de seu cavalo.
- Gostaria de um emprego, sou acostumado com a rotina e amo esta vida na fazenda.
- Eu não estou precisando de um aprendiz e sim de um homem formado.
- Creio que o Senhor não quis me ofender, assim sendo, coloque-me, por favor, em qualquer setor das “Três Fazendas” e saberás minha utilidade.
- Ousado! Arranca um pedaço de capim e mastiga, começa a meditar num ofício para o rebento.


Na entrada das “Três Fazendas” havia as colunas que formavam arcos, os portões de sólidas madeiras de imbuias, alcançavam os quase quatro metros. Quem adentrasse sairia na sede, propriedade de Dom Criosbaldo Sotela Vene e de Dona Inácia Jordão Reis Sotela Vene; neste percurso admiração pelo capricho da natureza com o zelo do Homem, resultando em arbustos, gramas e flores no cenário principal, coadjuvando ao fundo uma variedade de árvores frutíferas. Ao olhar para esquerda, avistaria o gado no pasto, três mil cabeças que lembravam nuvens cobrindo a terra. À direita, encantaria com o imenso lago artificial acompanhado por um laranjal, milharal e cafezal, tudo muito distante do outro. Perceberia que os trabalhadores cultivam e cantam. Passando a sede, o casarão, temos a vila dos trabalhadores com suas cento e vinte casas, mulheres com crianças descendo em direção ao rio para lavar roupas, o rio é o Potibari, que nasce na cidade de Melquisedeque, próxima a Palestina, no grande Estado de São Paulo.
Entretanto, nos concentremos na sede, o casarão das “Três Fazendas”, onde doze empregadas trabalham, sendo três cozinheiras, duas lavadeiras e duas passadeiras e cinco para limpeza e arrumação. Dona Inácia não possui governanta, pois ela mesma verifica o trabalho interno e Senhor Necésio o trabalho externo. Há quarenta e seis dependências no casarão: uma cozinha interna para preparação dos alimentos e uma externa para cozinhar nos fogões a lenha; cinco salas, duas de estar, uma para reuniões e duas de jantar; dezesseis banheiros e dezesseis quartos; quatro dispensas e três áreas comuns para visitação. A decoração colonial se requintava com um piano entre as duas salas de estar. Na parede que dá de frente com as escadarias do andar superior, um quadro “Moisés Salvo das Águas” de Nicolas-Antoine Taunay, muita reflexão. Dom Criosbaldo o havia comprado do próprio Taunay numa de suas viagens ao Rio de Janeiro.









terça-feira, 2 de dezembro de 2014

ÓRFÃO DE PAI VIVO

ÓRFÃO DE PAI VIVO

Lá estava eu, aos sete anos, três horas da madrugada, assim declarava o relógio de parede, pronto para carregar as caixas de madeiras até a feira de rua. Papai levava as mais pesadas, eu e outros dois irmãos, levávamos as demais. Era uma escadaria quase que interminável, uns quarenta minutos andando. Eu, magricela, esforçava em suportar aquele peso, pois papai vendia peças para fogões, panelas de pressão e afins. Papai era um homem alto, moreno e magro, usava um bigode bem aparado, tinha um senso de humor muito apurado com o público, daí seu sucesso nesse negócio. Mas com a família, ele pouco sorria, era extremamente exigente, muitas vezes usando de força para mostrar sua autoridade.
Num desses dias de feira, meus irmãos mais crescidos, deram um basta nesta vida, conseguiram se colocar no mercado de trabalho formal e não eram mais obrigados a ajudar papai. Achava estranho o distanciamento, pois eu gostava de estar com ele, afinal, era meu exemplo varonil. Então, peguei as caixas de madeiras e fui colocando num carrinho feito sobre medida para as feiras. Havia repartições onde guardávamos as caixas; as rodas iguais as de bicicletas, só que maiores e mais resistentes; se transformava em uma banca prática com um grande tabuleiro e lugar para abrir o guarda-sol. Arrumávamos e estávamos prontos para vender os acessórios e fazer os devidos consertos em panelas, bules, chaleiras, etc. e etc.
O sol daquele dia estivera insuportável, mas o que me queimou me ressecou por dentro foi ver meu pai falar ao bananeiro, que eu era um moleque de rua, um marginal e ele estava me ajudando. Entendi deste dia em diante o afastamento da prole.
O bananeiro com sua enorme barraca gritou pra eu levar algumas caixas de bananas passadas, anteriormente eu havia levado, não sabia o real motivo de seu ato, mas agora era diferente, um insulto, uma humilhação. Respondi que se quisesse banana eu compraria.

Sendo uma das últimas vezes que laborava em feira livre, iguais aos outros, preferi trabalhar com estranhos, pois me sentia órfão, órfão de pai vivo.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Melhor que o Chão

Olho a cidade sempre de um ângulo, confesso que gostaria de ampliar minha visão, acredito que seja compreensível minha limitação. Sou um banco de praça, muitos recorrem a mim, escuto cada conversa, as pessoas falam de tudo. Algumas sozinhas derramam seus corações e até choram, elas sabem que sou confiável e que não espalho assuntos alheios. Entretanto, gostaria por essa vez, quebrar esse sigilo, essa postura endurecida e que me perdoe o envolvido. Há mais de quinze anos, lá pras 22h00min horas, aquela criança se deitava em mim sobre muitos jornais. Nunca fiquei sabendo o seu nome, idade, família etc e etc; com o tempo nos apegamos, ele me esquentava e eu mostrava ser melhor que o duro chão. Numa dessas noites, ele não apareceu no horário habitual, lá pela 01h00min da madrugada senti o seu calor, estava mais quente que o normal, algo vermelho saia dele que grudava, me preocupei, queria fazer algo, oh!Maldita limitação, com o passar das horas, o franzino menino deixou de me aquecer e eu deixei de ser melhor que o chão.

terça-feira, 18 de março de 2014

O PROFISSIONAL DA FOTO

No entardecer, Wolfgang, alemão por nacionalidade, vermelho pimentão por causa do forte sol africano, a fome na savana apertava, mas tão intensa era a lembrança da esposa, Trud e de seus dois filhinhos, Joseph e John de três aninhos. Claro que a tecnologia reduziu suas saudades, mas incomodava o fato de não ter fotografado nada tão extraordinário. Observou girafas e elefantes voltarem para seus bandos, mais uma vez sua família se fez presente. Bateu sem parar uma sequência de fotos e esta que foi a que achou sensacional, por que pôs seu olhar peculiar nela, já que roubara seu coração e o ajudou na decisão, em favor de seus.

segunda-feira, 3 de março de 2014

OLHAR ALÉM DAS APARÊNCIAS

Dona Gerusa acostumada com economia familiar pechincha em quase tudo, roupas, calçados, artigos e bens comuns, assim a cinquentona toca satisfeita com suas economias.
No entanto, por esses dias, tomou uma postura diferente, seu velho hábito de economizar, explicou a ruiva senhora, não estava lhe proporcionando ganhos; contou que lera no portal do consumidor uma matéria sobre a * “Pirataria”.
Contou-me indignada, que muitos brinquedos são feitos com lixos hospitalares recicláveis comprometendo a integridade dos envolvidos, que grande parte da pirataria é administrada pelo crime organizado com suas muitas ramificações (tráfico de drogas, de entorpecentes, de armas e afins). Pelo seu semblante pude notar sua sincera preocupação, sua boca disparou que nunca mais compraria tais produtos que prejudicam outros, os que têm direitos autorais são fraudados, que alimenta a máquina do crime organizado e que, por fim a prejudica. Finalizando num tom imperativo, mandou-me fazer o mesmo.
Despedidas a parte, andei ao meu destino decidido a gerusar, a olhar além das aparências ou vantagens.

*Nota: Pirataria é crime, tanto pra quem vende como pra quem compra artigos 180 e 184 do Código Penal Brasileiro.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

MORTE E VIDA

Por três vezes eu procurei a morte, mas ela fugiu de mim. Na primeira vez, ela me achou muito jovem para morrer, na segunda ocasião, julgou-me inconsequente por demasiado e na terceira situação teve dó de mim. Entretanto, vivo um dilema, será que a morte fugiu de mim ou a vida é que me preservou?

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O PORTÃO

O PORTÃO


Ouve-se discussão no portão que dá acesso as outras casas; o emaranhado de casas, “cortiço”, por vezes termina em confusão. Mas essa tinha um som de estranheza devida o alvo. Dona Hanaí, jovem, recém-casada, lava roupas no tanque comunitário e, acostumada com as desavenças nem olha para trás. Walkiria Oliveira, esposa de Joaquim Oliveira, dono da mercearia “Brasil-Portugal”, também era proprietário das casas, por extensão Wal (Walkiria) achava-se no direito de mandar e desmandar a seu bel prazer.
                - Essa folgada largou o portão aberto. Emitiu bem alto seu recado.
Dona Hanaí fazia-se de surda, oras, pra que brigar se podia viver-se em paz, matutava a moça. Enquanto a cena acontecia, inquilinos aos montes aglomeravam-se para mais um capítulo da vida real, fitavam a gorda autoritária que ganhava fôlego e plateia.
                - Estou a falar contigo, pois, por que não fechastes o portão?
Naquele dia, Hanaí sentiu sua paciência escassear e na virada de cabeça pôs a mão em direção ao ouvido sinalizando que não ouvira.
                - Não tem problema, vou falar em sua face. Resoluta, saiu a luza em direção da rapariga para o último ato. Apontando o dedo indicador, exclamava veementemente suas ordens. A moça a pegou pelos colarinhos e a fez sentar numa planta cultivada em lata de óleo dezoito litros. A gritaria aumentou após a moça enchê-la de dedos na cara. Absoluta, não saiu de cima da reclamante e dizia se alguém a ajudasse sofreria tal qual ou pior sorte. Seu Joaquim Oliveira veio depressa, usando as expressões seguidas por raios, pede para Dona Hanaí soltar sua esposa, e junto com ele chega uma viatura da polícia. Os militares acalmam a situação e levam todos os envolvidos para delegacia. Muito humilhada, Wal, grita, sapateia, faz um espetáculo; ao indagar de Dona Hanaí, o delegado ouve o bom senso de quem estava em seu lar, lavando roupas e que atuou em defesa da honra.
A autoridade passa aquele sabão em Wal e seu marido, toma providências de fechar o portão e abrir outra passagem sem traumas. Passado algum tempo, seu Joaquim abre a velha entrada, Hanaí ouve as marteladas e continua desenvolvendo suas atividades, ciente do que está acontecendo ao seu redor.
                - Dona Hanaí, bom dia! Fala o portuga enchendo os pulmões.
                - O senhor sabe seu Joaquim, se ela desaforar eu vou às vias de fato novamente!
                - Não se preocupe, ela fugiu com o leiteiro, por que a senhora não matou aquela boa bisca?
                - O senhor deixou é?
                - Raios opâ! Agora está resolvido, a paz continuará. Sai o português acabrunhado com a situação.
Ao ir embora pensativo, seu Joaquim deixa uma certeza, ninguém tem o direito de fechar o portão de nossas vidas, de nossos corações.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

REQUINTE

Voltava do trabalho numa noite calorenta; as estrelas estavam lá, por mais que a poluição roubasse seus brilhos. Descendo pela Rua da Sorte, Jardim Santa Etelvina (encostado em Cidade Tiradentes, ambos bairros de São Paulo-SP) no sentido para quem vai para Avenida dos Metalúrgicos, um prédio antes, ou dois, não me lembro bem, da Rua Nascer do Sol ouvia-se um saxofone harmonioso. Parei curiosamente para provar o delicioso som e esforcei-me em procurar o talentoso ou talentosa, claro que em vão.

                Embacei nessa encruzilhada por cerca de uma hora, esperando que o artista aparecesse pelas frestas do muro ou que sua sombra o definisse. Estava ansioso para aplaudi-lo, mas a música encerrou-se, comecei a caminhar no sentido da Rua do Charco; por outras vezes fiz o mesmo percurso para ouvir o concerto que não mais se repetiu.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O DIA EM QUE A CHUVA PAROU DE CAIR


                Ulysses contava as moedas e recontava-as na esperança de acertar a última tacada. Sabia por bocas e histórias alheias que flores faziam as mulheres derreterem-se, e querendo imitar as ações de filmes românticos, buscava comprar um buquê de rosas. Seu alvo era Márcia Adriana, cabelos longos encaracolados negros, olhos de passarinhos, franzina e muito meiga.
                Precisava fazer algo pra ter a atenção de seu amor. Pronto, as poucas eram suas salvações. Aprontou-se e na floricultura próximo à sua casa fez a pergunta importante: Quanto custa esse buquê de rosas? A mulher responde um valor muito superior ao que ele imaginava. O semblante entristece, os olhares nas moedas vão somando-as e solucionando uma saída.
- E a unidade? Indaga o rapaz desconcertado. A mulher examina o magricela e compassivamente confirma se é pra namorada. – Eu acho que depois dessas flores nós casaremos! Responde o jovem apressadamente, com a dose certa de exagero proveniente da idade. A moça riu-se, pede para Ulysses escolher três botões. O menino escolhe as cor-de-rosa. A floricultora capricha, recebe as moedas e o garoto sai contente. Cria coragem, vai à escola andando, a cada passo pensa na reação da amada. A chuva começa a cair, todo molhado com as rosas na mão direita, entra pelo portão principal, passa a ser dono da atenção estudantil, não dá a mínima, procura a merecedora do presente. A chuva continua, águas caem pela sua face, roupas encharcadas, tênis iguais a poças d’águas.
Plof, plof, seu caminhar emite sons, coração disparado, vê-se Márcia Adriana mexer em seus cabelos enquanto lê um livro; aproxima-se, Márcia percebe que é pra ela, vai ao seu encontro, na chuva, os dois se olham, ele passa as flores para ela que nesse momento toda molhada, cheira-as, depois sorri. Para os dois a chuva parou de cair naquele exato momento.

domingo, 24 de novembro de 2013

Vila Operária

Eram meados de 1965, na cidade de Cubatão, baixada santista, que completariam um pouco mais de dois anos de casados. Nilo o bebê de um ano e meio brincava dona Abigail, a jovem Abigail, linda, morena clara, olhos e cabelos negros, magra; decoradora nata repartia a casa de madeira da vila Operária com cortinas, móveis e flores. Não é que se assemelhava a casas de bonecas. Dona Milú de família espanhola, meio cheinha e simpática pede licença; a mulher entrou e perguntou a jovem se não tinha ciúmes de seu marido. Talvez – foi a resposta ressabiada da moça.
                - Sabe aquela moça morena, a Josefa, que todo dia após o trabalho passa aqui pra ver o Nilo?
                - Continue. Um tanto impaciente com os rodeios da Senhora.
                - Quando seu marido sai pela manhã, ele encontra com ela no ponto de ônibus todos os dias. É um chamego pra lá e pra cá. Lança o veneno.
                - Era só isso? – pergunta a jovem finalizando a conversa.
                - Por favor, não me envolva neste assunto. Eu prezo por demais a paz. Sai em direção ao portão.
                O coração de Abigail agora é uma máquina, ela prepara a mamadeira do Nilo e atenta ao relógio espera qual onça o perigo se aproximar. Às quatro horas pontualmente, Josefa chega cheia de sacolas e vai entrando dirigindo-se até o berço, pega o Nilo adormecido e faz carinhos, enche-o de beijos e não para de falar até o bebê acordar. Percebe que Abigail está muda, indaga se acontecera algo.
                - Vagabunda! – esbraveja a dona do lar.
                - Co- como?
                - Coloque o menino no berço, pensa que desconheço suas intenções, vadia!
                - Me deixa explicar...
                Bah! O tiro passa perto furando a parede de madeira, Josefa cai ao chão de joelhos e berra aos prantos tirando junto aos seios uma foto do irmão mais velho de Abigail.
                - Não me mate, toda manhã eu mando uma carta para seu irmão através de seu esposo, pois os dois mulher de Deus trabalham juntos.
                - Ordinária, não sabe que meu irmão é casado? Suma daqui, da minha vida e da do meu irmão.

                Josefa sai rapidamente correndo pela vila e some na rua principal; duas horas depois chega Igor, mas antes de entrar em casa, a vizinhança o informa do ocorrido. Precavido, entra em casa como costumeiramente, vai até Nilo, a criança fala – Pai, mamãe Bum! – mostrando com o dedinho indicador o furo. Desentendido, continua com o menino no colo, qual dono da arma sabe que há mais projeteis. Pra que cutucar a onça com vara curta.

domingo, 10 de novembro de 2013

O OFÍCIO DOS PAIS

O Ofício dos Pais

Senhor Carlos, vulgo Cacá, era pescador e agricultor por profissão, muito extrovertido, gostava de contar muitas histórias e piadas. Ensinava seus filhos o ofício, dizia-lhes que de fome não morreriam! Conhecia e conhecido por todos, fazia muitas algazarras nas ruas, de um quarteirão ao outro mexia com os transeuntes. Nas horas vagas ia pescar, convidava os vizinhos e conhecidos, varas, molinetes, iscas, anzóis e barcos, aquilo o deixava muito feliz. Dona Ninica, diarista nas semanas, aos fins de semanas era a mãe mais dedicada ao lar e família. Preocupava-se com a educação dos filhos, acompanhava suas notas e desempenhos escolares. Dizia para aproveitarem enquanto o tempo favorecia o saber, pois, os desfavoráveis chegariam. Qualidades de laboriosidade, honestidade e otimismo ajudaram seus filhos, Tiago, Pedro, André e João a serem bons cidadãos.
O pai aproveitava a hora do almoço ou jantar para mostrar os peixes aos garotos, ensinava-lhes que precisavam ser iguais aos peixes bons, pois as atitudes indesejáveis como mentira, roubo, desonestidade e a lista parecia crescer com os dias, eram iguais aos peixes podres e cheiravam mal.

HORA DE ESTUDAR

Com o começo de um novo ano, havia chegado o momento tão esperado, Joãozinho agora caminha com seu outro irmão rumo à escola; os outros dois, Tiago e Pedro, estudavam no período vespertino. Achou diferente aquela correria, o sinal para entrar em sala, a fila que se fazia, a chamada de presença que sempre um engraçadinho respondia: Presunto, por mais repetitivo que fosse as risadas eram garantidas. Em casa Joãozinho era um tagarela, mas na escola a timidez destacava-se. Sua professora Dona Teresinha, loira, olhos azuis, magra, estatura mediana, um doce; com ela ele aprendeu a ler, formar frases, calcular (somar, subtrair, dividir e multiplicar), da primeira à quarta série, era o paraíso estudantil, lecionava-se com facilidade de aprendizagem.
No fim daquele ano letivo, Joãozinho poupou em seu cofrinho as economias de quatro anos, uma miséria, mas o menino foi até o bazar e comprou um pingente de cachorrinho para sua professora em agradecimento pela sua dedicação e carinho. Em sala de aula, último dia, ele deu o presente para a professora que surpresamente colocou no pescoço toda feliz. Joãozinho volta pra casa feliz, chutando pedras, conseguira realizar uma coisa que há muito queria dar de coração.
No seguinte ano, as coisas mudaram, não era apenas uma professora e sim nove, sendo a carrasco mor a professora de matemática Dona Tisuko. Era baixa, magra, cabelo liso, preto, curto, filha de japoneses, sistemática e perfeccionista, sem tato e muito parcial em classe. Qualidades? Sim, ela possuía, mas Joãozinho não consegue se lembrar. Antipaticamente, chamava o pobre menino de burro para seus colegas ouvirem, seu chavão consistia em dizer que desse jeito não dá, né. Uma das séries mais difíceis que Joãozinho passou foi a quinta série por bruscas mudanças; resultou em passar de ano raspando em matemática, o que decepcionou Tisuko, torcendo agora para ele cair em sua turma.
Na sexta série, Joãozinho estava novamente com Tisuko, infelizmente ele bombou unicamente em matemática, na recuperação de fim de ano. O olhar da professora era de vitória, conseguiu fuzilar o jovem e, olhando pra ele disse que futuramente a agradeceria por não ter deixado passar para sétima série. O menino saiu como que nocauteado, foi a primeira vez que se recorda de enxergar o mundo cinza. Seus pés automaticamente fazem o caminho para casa. O coração bate descompassado, seus olhos jorram águas, não sabe da reação dos pais, teme por sua situação. Entra na casa do escadão, sua mãe acaba de chegar do trabalho e ao fitar o garoto entende que não passou de ano. Adianta-se a dizer que perdera um ano de sua vida e que isto lhe sirva de lição; bola pra frente, a vida continua.
Joãozinho vai à cama, deita-se, procura achar explicações, mas tudo parecia vazio, fracasso, essa palavra passava por sua mente. Chorou, chorou até dormir.
Agora, João, cursa novamente a sexta série, mudou muito, deixou a timidez de lado, aprendeu a malícia das milícias estudantis. Ficara esperto, conseguia responder a altura ou sobrepujar seus adversários; começou a trabalhar de Office-boy, via independência em sua vida. Na escola, chegando à noite do trabalho, passou pela Brasília bege de Dona Tisuko. Calmamente na frente de observadores esvaziou seus quatro pneus, era uma ação antiestresse pra ele. Houve uma ocasião que ao sair da sala, as carteiras e cadeiras estavam em chamas; inventou pra ser popular que seu pai tinha acertado na loteria e em poucos dias seriam os mais novos ricos da cidade. Começou uma fila pra serem amigos de João, convites mil não faltavam. Entretanto, toda mentira tem pernas curtas e logo os curiosos começaram a rodear seu pai que desmentiu a história.
À noite, houve um black out, os atuais apagões, tudo escuro, Sr. Cacá pergunta para João que tipo de peixe era ele? Na mesa, velas e uma sopa de feijão com ovos cozidos, um caldeirão e todos a comê-la. João responde que não era peixe, poderia ser muito bem um feijão. Feijão quando não guardado na geladeira estraga, você pode comparar-se com qualquer outra coisa, o fato é que cheira mal. André, Pedro e Tiago saem da mesa e vão para o quarto, Ninica recolhe a louça, todos entenderam que o momento era de correção e, costumeiramente deixavam o pai administrar a devida disciplina.
João aos gritos tentava refutar sem êxito as cobranças do velho. Hoje você foi um peixe podre, o que ganhou por mentir? Amigos do seu suposto dinheiro; vergonha, doravante vão apontá-lo como o mentiroso. Acha que saiu no lucro? Cada admoestação do pai entrava uma facada em seu coração, mas o semblante mantinha-se varonil. Seu Carlos o fez sentar no sofá e o que viu foi um garoto querendo ganhar espaço, amigos de uma forma tola. Aconselhou e João não aguentou mais, pôs se a chorar. Deitou sua cabeça  no colo de seu pai,  qual cafuné na cabeça, cantava uma música que acalmou sua criança. Cacá percebeu que o pequeno após aquela conversa fora ajudado a ser um nobre homem.  Desmaiado de sono, Cacá o leva em seus braços e o coloca no beliche, beija-o, olha ao redor e seus filhos fixam na cena. Beija Pedro, Tiago e André e deseja-lhes uma boa noite.
Caminha para seu quarto pensativo, talvez triste por não prever tal situação, deita na cama, sua esposa começa a lhe fazer um cafuné e canta uma música relaxante que faz seu Carlos embalar no sono, sua esposa Ninica protege-o para que pesque seus mais lindos sonhos.

sábado, 2 de novembro de 2013

A VONTADE DE JOÃOZINHO

Queria Joãozinho por todo custo ir logo à escola; sua curiosidade aos cinco anos e propaganda de seus irmãos tirava-lhe o sono. Quatro beliches, espaço apertado, Joãozinho dormia embaixo, ali era seu mundo encantado. Ele sabia falar seu nome, contar de um a dez, falava de cor o nome de seus pais; não via a hora de poder conhecer o desconhecido, ampliar o seu mundo.
A casa em que Joãozinho morava era a única de uma escadaria que embaixo ao pé da escada, dava acesso à avenida e, lá no alto a rua de terra. O quintal rodeado por uma cerca de troncos de árvores, apoiando os arames farpados; na entrada pela escadaria, havia um poço artesiano, ao seu lado, um tanque de lavar roupas, um pouco a esquerda, uns degraus feitos na terra acessando a parte de cima do quintal.
Era como o quintal da vovó com aquela goiabeira, um pé de lima, a plantação rasteira de morangos, um pouco mais adiante a horta com couves, almeirões, alfaces e tomates; tanto ao lado esquerdo como do direito ao fim do quintal, bananeiras ornavam-no, e um pé de jaca se destacava. O terreno do vizinho era repleto de plantação de milho, onde Sr. Carlos, pai de Joãozinho zelava para cultivo. A casa antiga possuía laje no cômodo mais novo, a cozinha, as demais partes eram simples, o quarto dos genitores com guarda-roupa, cama de casal com, criados mudos, chamavam atenção do menino. O quarto das crianças com suas duas beliches, a sala com os jogos de sofás, uma estante e televisão. A cozinha era azul, azul bebê, Ninica a mãe deixou de seu jeitinho com um toque feminino.
Todos os dias, inclusive feriados, Joãozinho acordava às cinco e meia, corria para o quintal, puxava a mangueira e começava a regar a horta, as plantas e tudo em volta; gostava de demorar pra ver o sol surgir, aproveitava seus raios que o aqueciam e arrepiavam-no, um arrepio com sensação de alívio, pois parecia que tudo de ruim havia saído com a luminosidade.

Conversava com as plantas e com os matos arrancava-os, reunia como brinquedos e sua imaginação se soltava, longe muito longe. Corria para tomar seu café da manhã afobado, precisava ver se já tinha moranguinhos, quantos? Ninica balançava a cabeça achando graça de suas preocupações. Seus três irmãos acordavam às seis e meia inconformados com o horário, corriam e engoliam o pão com café; lá iam eles cutucando um ao outro, um zombando do outro. Joãozinho com seus olhos os seguiam até sumirem de vista. Imaginava ao lado de seus irmãos cutucando, brincando e correndo até chegar à escola. Voltava ele a brincar com os matos e o ajuntar de pedrinhas.

sábado, 19 de outubro de 2013

Coisas de Igarapava

O sol ainda não aparecera, mas o rosto dela suava iluminado ao fogão de lenha. Flores verdes apareciam na mesa, vinham da horta, que as mãos envelhecidas de seu amado pontualmente traziam. O cheiro de café misturava com o de feijão cozinhando, eles disputavam o espaço entre si. Ao desjejum, dezoito pessoas esperando o momento certo de entrar em cena, como o sol, eles apareceriam.
Bule e copos, pães e bolos descansam prontos para saírem de cena. Beijos, muitos, no rosto e na testa, a anciã parece indiferente, coisas da idade. Olhos alegram-se de ver a prole comer; suas mãos unhas bem feitas e pintadas de vermelho, repartem o pão que amiúde vai à boca. Nada fala não lhe sai som, mas observa o cenário barulhento dos famintos de pães, de palavras e saciados de brincadeiras.
A velha enrubesce com as quentes mãos de seu amado em cima das suas; diz-se baixinho ao pé do ouvido um obrigado inteligível, que a senhora ri-se no íntimo, sabia que o agradecimento era pelo conjunto da obra. Levanta, incentiva a turma a enfrentar o dia; vai pouco a pouco ficando só, ela e as panelas, cozinha cantarolando uma canção antiga, raiz; grita para o Duque, o cachorro de estimação, continua cantarolando afinadamente e a sinfonia das panelas a acompanha junto com seus pensamentos.

sábado, 7 de setembro de 2013

Absolvição

Na sala fria, escura, corredores silenciosos atrapalhados às vezes por sons de sapatos aos pisos. Aquela senhora, cabelos brancos desgrenhados, olhos úmidos, boca seca, assustada; sentada a meia luz, respira profundamente. Ao seu redor oito pessoas a observam. Uma seriedade nos rostos do mais velho ao caçula. A caluda quebrada pelo relógio, pode se ouvir algum barulho na rua. Repentinamente a voz trêmula e rouca passa a dissertar em defesa das cãs. Almejando piedade, há uma mina nos olhos, que desesperadamente jorram na tentativa de limpar o que parece sujo. As pestanas articulam-se, a boca tenta convencer o júri de sua inocência. A assistência atônita com tamanho despropósito falta de prudência, leviandade bate o martelo com a negativa da cabeça; a réu leva todos ao choro mostra-se pecadora como a humanidade. Absolvida, sorri, sua mão cai como seda ao chão, os advogados e as câmeras se apagam as oito almas a enterram canonizando-a.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

LÁ PRAS BANDAS DO SERTÃO

LÁ PRAS BANDAS DO SERTÃO


Lá pras bandas do Ceará, cidades pobres nos arrabaldes de Fortaleza, capital; existiam duas famílias bem paradoxais. Uma, religiosa, pertencente a Antonio Raimundo, homem de fé e generosidade; a outra de Raimundo Antonio, cabra valente, justiceiro, bem feitor aos seus próprios olhos, fazia sua justiça e ordem prevalecer.
Num determinado dia como de costume, Antonio Raimundo estava ajudando as pessoas e sobre a luz da lua falava da Bíblia para os ouvidos atentos, quando de repente, Raimundo Antonio chega com seus comparsas. Agride os presentes, mas Antonio Raimundo vira objeto de ódio.
O homem semimorto ao chão, desperta depois de horas e dá graças a Deus; esforça-se em proteger sua velha companheira, mas suas muitas dores o limitam do carinho e proteção. Muitos anos passaram, uns vinte, quando todas as escleroses se fecharam, Raimundo Antonio manda seus homens trazerem Antonio Raimundo ao seu lar. O sertanejo de crença vai orando e ao chegar à fazenda, o rude cangaceiro o manda curar sua adoentada esposa. Sabendo que era impossível para um humano, pós se de joelhos e começou a orar. Com a facilidade de quem está habituado a falar com Deus pede, a senhora levanta restabelecida, a admiração está no ar.
Raimundo Antonio o presenteia então com uma casa, um carro, com muitos agradecimentos, e com o principal, fé no Deus verdadeiro.



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Dona Fausta


DONA FAUSTA


Senhora de fala mole, negra, simpática; contava que fora linda, Araguari – MG e seus homens paravam para ver a pérola negra desfilar. Levanta-se, coloca água pra ferver de seu jeito, calmamente. Eu tinha um corpo bonito, mas não era assanhada como as meninas de hoje, naquele tempo tinha-se respeito, diz a anciã. Em sua vagarosidade peculiar da idade, rejeita ajuda, pega o bule, vai atrás do suporte para o coador, depois o procura nas gavetas, chegou a hora de por o pó, três colheres generosas saciam sua vontade. Continua falando que está muito esquecida, balança a cabeça rejeitando tal limitação; o semblante muda para radiante quando fala de seu marido falecido, usa um chavão pra citar o homem: Uai, ô home bão!
Conta muitos momentos felizes, singulares de sua vida, entre eles o dia de seu casamento seguido por uma bonita festa. Ri-se da queda de cavalo que levaram; não se esquece de mencionar seu filho, como um presente de Deus com todo o amor, mesmo ele não falando mais com ela. Pede para reparar nas paredes, no chão, forro, diz que seus irmãos de religião fizeram todos os consertos. A xícara de café chega até minhas mãos, às delas tremulando faz a xícara dançar coreografando com o líquido. Explica-me baixinho o seu último investimento, precisa fazer uma viagem e está engordando dois porcos, o dinheiro já é certo. Dona Fausta permanece conversando e fritando os biscoitos de polvilho; eu e o dia demoramos a ir embora, pois nos apegamos àquela agradável senhora.

domingo, 3 de março de 2013

Abraço

Ela me abraçou, foi a primeira vez. Algo extraordinário eu senti, como que arrepios, prazer e medo entrassem na corrente sanguínea acelerando o processo. Tal afeto não durou cinco segundos, eterno, tinha cheiro, o seu, perfume ímpar. Enlouquecedor. Ela sorriu, saiu, sumiu, mas seu abraço perdura indelevelmente.

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Cabeça

Ele quis se impor, era mais uma de muitas tentativas. Ora, aprendera que o varão é dotado do privilégio legal e divino da dianteira, de tomar decisões e contar com o pleno apoio de sua ajudadora. Endossando o ego masculino e a lei, era só girar o pescoço e ver as inúmeras famílias da vila orientadas pela bússola moral. Leandro reivindicava seu direito aos pés de Simone, que herdou da mãe o direito de mandar, manobrar e chantagear para conseguir as consecuções de suas intenções.
Dizia o quarentão: Não pode, você precisa me respeitar. Não pode! A mulher abria a boca como uma metralhadora destroçando todos os argumentos de Leandro, que frustrado ia dormir. Buscava um sonho em que ele realmente mandasse alguma coisa. No trabalho, na vizinhança, em qualquer lugar, o pobre homem não conseguia se posicionar; em sua deficiência entregava-se aos resmungos, que o aliviavam da dor da vergonha.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Sinuosamente Direito

Alto, magro, meia idade; seu andar manco chamava à atenção. Era formado em direito, advogava pela região, principalmente nas vilas ribeirinhas de Igarapava - SP.
Era mais conhecido como unha-de-fome, deixando seu profissionalismo coadjuvar. Certo dia, estava doutor Francisco, vulgo Chicão no popular, em seu fusca pela estrada de terra, quando sente que o carro passou em cima de algo. Desce, analisa o porco a uns duzentos metros e, começa a maldizer o dia. O camponês que de longe ouviu o acidente, se aproxima e começa com a ladainha conhecida dos prejudicados. Chicão quase atrasado para o compromisso, tira uma nota de dez pesarosamente do bolso, quase não consegue dá-la ao caburé; entra no carro, agora mais preocupado com a perda dos dez do que com sua obrigação. Segue o caminho; em seu retorno à noite, para no sítio e quer o porco que comprou. O matuto em sua simplicidade, explica-lhe que fora transformado em ítens de uso diário, e que com a indignação suposta de Chicão, propõe devolver-lhe seus dez. Chicão lhe diz: Não! O porco é meu. Pague-me quinze.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A Procura da Felicidade

Já passavam das dez da noite, em minha cama, estava eu deitado entre o transe do sono e a realidade, que a cada minuto o efectivo ficava pra trás. Palmas vinham da direção do portão, e muito zangado acordei , pensei: quem poderia ser pra me importunar aquelas horas? Julguei que poderia ser uma emergência. Sai correndo, não tinha mais ninguém no portão; abri-o, olhei para a direita e depois para esquerda, nada. Na rua, nas calçadas, pelas árvores, meus olhos procuraram; estava sem os óculos, a desculpa me serviu. Entrei, e normalmente fui pra cama dormir; acordei mal-humorado. Lembrei-me de ontem, e matutei que as pessoas não tem paciência; claro! poderia ser um pedinte. Balancei a cabeça.
Assim, reforcei minha decisão da insignificância do acontecido, mas despercebi que a felicidade entrou e deixei-a num canto qualquer.

Postagem em destaque

"ESPERAREI"

Esperarei domingo; Esperarei sorrindo; Esperarei sonhando; Esperarei dormindo; Esperarei um amigo, Um abrigo, um lindo dia de sol.  ...