Olho a cidade sempre de um ângulo, confesso que gostaria de
ampliar minha visão, acredito que seja compreensível minha limitação. Sou um
banco de praça, muitos recorrem a mim, escuto cada conversa, as pessoas falam
de tudo. Algumas sozinhas derramam seus corações e até choram, elas sabem que
sou confiável e que não espalho assuntos alheios. Entretanto, gostaria por essa
vez, quebrar esse sigilo, essa postura endurecida e que me perdoe o envolvido.
Há mais de quinze anos, lá pras 22h00min horas, aquela criança se deitava em
mim sobre muitos jornais. Nunca fiquei sabendo o seu nome, idade, família etc e
etc; com o tempo nos apegamos, ele me esquentava e eu mostrava ser melhor que o
duro chão. Numa dessas noites, ele não apareceu no horário habitual, lá pela 01h00min
da madrugada senti o seu calor, estava mais quente que o normal, algo vermelho
saia dele que grudava, me preocupei, queria fazer algo, oh!Maldita limitação,
com o passar das horas, o franzino menino deixou de me aquecer e eu deixei de
ser melhor que o chão.