Na sala fria, escura, corredores silenciosos atrapalhados às vezes por sons de sapatos aos pisos. Aquela senhora, cabelos brancos desgrenhados, olhos úmidos, boca seca, assustada; sentada a meia luz, respira profundamente. Ao seu redor oito pessoas a observam. Uma seriedade nos rostos do mais velho ao caçula. A caluda quebrada pelo relógio, pode se ouvir algum barulho na rua. Repentinamente a voz trêmula e rouca passa a dissertar em defesa das cãs. Almejando piedade, há uma mina nos olhos, que desesperadamente jorram na tentativa de limpar o que parece sujo. As pestanas articulam-se, a boca tenta convencer o júri de sua inocência. A assistência atônita com tamanho despropósito falta de prudência, leviandade bate o martelo com a negativa da cabeça; a réu leva todos ao choro mostra-se pecadora como a humanidade. Absolvida, sorri, sua mão cai como seda ao chão, os advogados e as câmeras se apagam as oito almas a enterram canonizando-a.
sábado, 7 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Filhos do Tempo
Meus filhos se conheceram em Araçatuba-SP, há mais de dez anos atrás. Ele militar por carreira, na ativa, de família paulistana, educado no bairro de Santo Amaro, nas redondezas do clube Banespa. Ela, linda, formosa, estudiosa e feminina, de família paulista da cidade de Oswaldo Cruz.
Lembro-me que na faculdade o professor solicitou que formassem duplas para um trabalho, foi à oportunidade da aproximação de sentimentos; ela esforçava-se em não demonstrar, ele fazia questão de dar em cima. A nota pelo trabalho se tornou insignificante, pois a nota do amor já alcançou os dez.
Parabéns por uma década bem sucedida, e pelas incontáveis que virão. “Mesmo muitas águas não são capazes de extinguir o amor, nem podem os próprios rios levá-lo de enxurrada...” Cânt. Salomão 8:7.
Abraços
Marco Alexandre Dias da Silva
Lembro-me que na faculdade o professor solicitou que formassem duplas para um trabalho, foi à oportunidade da aproximação de sentimentos; ela esforçava-se em não demonstrar, ele fazia questão de dar em cima. A nota pelo trabalho se tornou insignificante, pois a nota do amor já alcançou os dez.
Parabéns por uma década bem sucedida, e pelas incontáveis que virão. “Mesmo muitas águas não são capazes de extinguir o amor, nem podem os próprios rios levá-lo de enxurrada...” Cânt. Salomão 8:7.
Abraços
Marco Alexandre Dias da Silva
quinta-feira, 30 de maio de 2013
LÁ PRAS BANDAS DO SERTÃO
LÁ PRAS BANDAS DO
SERTÃO
Lá pras bandas do Ceará, cidades
pobres nos arrabaldes de Fortaleza, capital; existiam duas famílias bem
paradoxais. Uma, religiosa, pertencente a Antonio Raimundo, homem de fé e
generosidade; a outra de Raimundo Antonio, cabra valente, justiceiro, bem feitor
aos seus próprios olhos, fazia sua justiça e ordem prevalecer.
Num determinado dia como de
costume, Antonio Raimundo estava ajudando as pessoas e sobre a luz da lua
falava da Bíblia para os ouvidos atentos, quando de repente, Raimundo Antonio
chega com seus comparsas. Agride os presentes, mas Antonio Raimundo vira objeto
de ódio.
O homem semimorto ao chão,
desperta depois de horas e dá graças a Deus; esforça-se em proteger sua velha
companheira, mas suas muitas dores o limitam do carinho e proteção. Muitos anos
passaram, uns vinte, quando todas as escleroses se fecharam, Raimundo Antonio
manda seus homens trazerem Antonio Raimundo ao seu lar. O sertanejo de crença
vai orando e ao chegar à fazenda, o rude cangaceiro o manda curar sua adoentada
esposa. Sabendo que era impossível para um humano, pós se de joelhos e começou
a orar. Com a facilidade de quem está habituado a falar com Deus pede, a
senhora levanta restabelecida, a admiração está no ar.
Raimundo Antonio o presenteia
então com uma casa, um carro, com muitos agradecimentos, e com o principal, fé
no Deus verdadeiro.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Dona Fausta
DONA FAUSTA
Senhora de fala mole, negra,
simpática; contava que fora linda, Araguari – MG e seus homens paravam para ver
a pérola negra desfilar. Levanta-se, coloca água pra ferver de seu jeito,
calmamente. Eu tinha um corpo bonito, mas não era assanhada como as meninas de
hoje, naquele tempo tinha-se respeito, diz a anciã. Em sua vagarosidade
peculiar da idade, rejeita ajuda, pega o bule, vai atrás do suporte para o
coador, depois o procura nas gavetas, chegou a hora de por o pó, três colheres
generosas saciam sua vontade. Continua falando que está muito esquecida,
balança a cabeça rejeitando tal limitação; o semblante muda para radiante
quando fala de seu marido falecido, usa um chavão pra citar o homem: Uai, ô
home bão!
Conta muitos momentos felizes,
singulares de sua vida, entre eles o dia de seu casamento seguido por uma
bonita festa. Ri-se da queda de cavalo que levaram; não se esquece de mencionar
seu filho, como um presente de Deus com todo o amor, mesmo ele não falando mais
com ela. Pede para reparar nas paredes, no chão, forro, diz que seus irmãos de
religião fizeram todos os consertos. A xícara de café chega até minhas mãos, às
delas tremulando faz a xícara dançar coreografando com o líquido. Explica-me
baixinho o seu último investimento, precisa fazer uma viagem e está engordando
dois porcos, o dinheiro já é certo. Dona Fausta permanece conversando e
fritando os biscoitos de polvilho; eu e o dia demoramos a ir embora, pois nos
apegamos àquela agradável senhora.
domingo, 14 de abril de 2013
Num Fechar de Olhos
Ao acordar, o desejo de não mais existir persiste. Fecho os olhos, pronto, não estou mais aqui. Pode parecer infantilidade, mas por simplesmente fechar os olhos não vejo os defeitos e me aproximo do mundo perfeito das crianças.
Lenços aoVento
O lenço ao rosto, os olhos expostos e mais nada; não há cunho religioso, investigativo ou misterioso. Lenço florido que tem o preto como fundo. Agora que nada, ela não acredita; os pelos se foram, a inconveniência do vento não é capaz de tirar a resoluta decisão de sua permanência.
A mulher debilitada pela doença, a camuflada chaga sob o lenço, não sabe até quando se definhará; ela odeia a doença, mas o lenço, sim os lenços, echarpes, seus amigos, confidentes, leais, que embelezam, adornam e sorrateiramente fazem-na esquecer da doença.
Eu e Lygia Fagundes Telles
Conheci a Senhora, Rainha e Dona da melhor literatura em vida, Lygia Fagundes Telles, no ano de 1984. Eu aos onze apaixonei-me por sua escrita. Sensível, verdadeira e única no gênero. Através do texto "A Disciplina do Amor" na escola, na aula de Língua Portuguesa, analisamos esse texto. Gostava muito de ler, mas Lygia ajudou-me a saborear as frases, até hoje me lembro dessa história, sei contá-la para qualquer um, pois é muito humana. O amor, a lealdade daquele cachorro ao seu dono que morre na guerra é um assunto para a mais profunda meditação.
Querida Lygia, a escrita é o seu ofício, tu és destra no que fazes e perita nas palavras. Obrigado!
De seu admirador,
Marco Alexandre Dias da Silva
Assinar:
Postagens (Atom)
Postagem em destaque
"ESPERAREI"
Esperarei domingo; Esperarei sorrindo; Esperarei sonhando; Esperarei dormindo; Esperarei um amigo, Um abrigo, um lindo dia de sol. ...
-
A vida é circular como mandalas. Há uma beleza na geometria sagrada que existe em nós Nossos olhos destreinados não captam a imensidão do...
-
E nessa morada há o olhar cuidadoso daquela que sabe amar, ampliando o verbo. Parabéns por morar em nós! 🎈🎈🎈🎂🎁🎈🎈🎈
-
Há de se perder Para encontrar-se O caminho de volta Cujo quintal é a tempestade. Planta-se com às mãos Colhe-se pimenta, Arruda, hortelã...